quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Governança de TI está com os dias contatos

Em organizações maduras, tendência é que orçamento de tecnologia seja dividido por áreas de negócio, diz Pesquisador do MIT, Peter Weill.

O pesquisador-sênior do Centro para Pesquisas em Tecnologia da Informação do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Peter Weill, acredita que a governança de TI, da maneira como conhecemos hoje, está com os dias contados.

Defensor ferrenho de que as melhores práticas de atuação são um fator essencial para o desempenho dos negócios, Weill afirma que em corporações maduras existe a tendência de se incorporar todos os controles departamentais - inclusive a governança de TI - em um único modelo de governança corporativa global.

“A expectativa é de que não haja governança de TI no futuro”, diz o pesquisador, que complementa: “Isso porque, com a evolução das normas regulatórias dos mais diversos setores, é esperado que todas as companhias precisem integrar as iniciativas em uma só política”.
Autor do livro “IT Governance: How Top Performers Manage IT Decision Rights for Superior Results” (Governança de TI: Tecnologia da Informação, em português), ele ainda complementa que o mesmo deve acontecer com o orçamento específico da TI.

Na visão do especialista, ao passo que o gestor de tecnologia passará a coordenar ações que tragam resultados práticos ao negócio, em vez de centralizar o budget da área, ele terá acesso a uma parcela dos recursos destinados aos projetos que envolvem a TI de cada departamento.

Na prática, o pesquisador aposta em uma estrutura orçamentária da seguinte maneira: com base nas demandas das áreas de negócio e na condição financeira da companhia, os recursos estabelecidos para o segmento de tecnologia da informação serão divididos e repassados aos demais departamentos. “Assim, quando planejar uma iniciativa voltada à área de finanças, por exemplo, o CIO utilizará os orçamentos específicos que o departamento financeiro possui para as iniciativas ligadas à TI”, explica ele.
Para alcançar tal patamar de integração entre as áreas, no entanto, Weill alerta que as companhias terão de colocar ordem na casa, estabelecendo políticas efetivas e segmentadas de governança. “Não é possível integrar tudo sem que cada departamento tenha cumprido seu dever e organizado projetos individualmente”, conclui o especialista.
Por Patrícia Lisboa, repórter da CIO - Atualizada em 02 de outubro de 2009 - 11h11

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quem são as pessoas de sucesso?

Para refletirmos... bom final de semana!

Marcos Cavalcanti - Para o Jornal O Globo

Em geral, achamos que as pessoas de sucesso são ricas e/ou têm acessoe destaque na mídia de massa (TV e jornal). O resultado de nossapesquisa confirmou isso. Com isso, o universo das pessoas elegíveisnos faz concluir que poucas pessoas deram certo na vida. Na verdade,muito poucas.

Isso é uma loucura. Para cada Ayrton Senna, há dezenas de mecânicos etécnicos que contribuíram de maneira decisiva para as vitórias dogrande piloto. Para cada Gerdau, há centenas de funcionários que nãochegaram a ser gerentes, mas são felizes. Para cada Kaká, existemmilhões de brasileiros anônimos que conseguem realizar seus sonhos. Eessas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.

Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não éninguém porque não conhece o castelo de Caras ou não possui um carroimportado nem um apartamento maravilhoso.

Todo dia vejo porteirossemi-alfabetizados levando seus filhos para a escola. O Zé, porteiroaqui do prédio é um deles. O seu maior orgulho é poder contar queembora não tenha concluído o ciclo básico, conseguiu fazer seu filhomais velho entrar na Universidade. Conversei com esse filho estasemana e ele se mostrou super orgulhoso do pai que tem. Então, paramim, o Zé é um cara de sucesso!

A conseqüência de não valorizarmos as pessoas "comuns" é maior do quepensamos. Como aponta o consultor Roberto Shinyashiki, "O mundocorporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo derecrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência".

As pessoas decoram as respostas que devem ser dadas na entrevista deseleção e quem acaba contratado, via de regra, é a pessoa boa emconversar, em fingir, e não a mais competente. Como apontaShinyashiki, o modelo de gestão adotado na maioria de nossas empresas"cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, quenão têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com oconhecimento".

Todos os discursos e boa parte dos cursos procuram motivar as pessoas.Claro que muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problemano Brasil é falta de competência. Além do que, os incompetentesmotivados são capazes de fazer besteiras monumentais!

O Caetano Veloso tem uma frase que para mim é uma síntese do Brasil.Em 1968, quando o júri do festival da Record desclassificou sua músicaAlegria, Alegria, Caetano disse que "o júri é simpático, mas éincompetente". O brasileiro é, reconhecidamente, simpático. Morei naFrança por 5 anos e eles se acham (sobretudo os parisienses)antipáticos e nos reconhecem como um dos povos mais simpáticos doplaneta.

Mas somos, em geral, incompetentes! Os vendedores não conhecem osprodutos que vendem, o farmacêutico não é farmacêutico, atendentes nãonos dão atenção e jogadores de futebol não conseguem falar três frasescorretamente. Claro que isto é uma generalização redutora. A vida émuito rica e diversa do que esta afirmação genérica que fiz, mas achoque, em geral, é verdade.

Pior, como poucas pessoas conseguem ser elas mesmas e a maioria nãoconsegue ter o que gostaria, parece que o objetivo de vida das pessoaspassou a ser parecer... As pessoas parecem que sabem, parecem quefazem, parecem que atendem, parecem que se envolvem, parecem queacreditam. UHU!!!

Muito poucos são humildes para confessar que não sabem. A esperança demudança continua sendo depositada em heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula ou o Meirelles. Quem vai salvar o time? O técnico ou ojogador. Quem vai salvar minha vida? O terapeuta. Será???

Não somos super-heróis nem super-fracassados... Uma das coisas boas deuma crise (econômica ou pessoal) é que ela pode nos ajudar a entenderque somos os únicos responsáveis pela nossa própria vida e que sódepende de nós nos libertar dessa tirania da aparência.

Uma das coisas que procuro fazer para tentar evitar essa tirania éobservar atentamente as pessoas que cedem a ela. Toda vez que vou aobarbeiro procuro ler a revista Caras para tentar entender o que sepassa na cabecinha daquelas pessoas. E reparei alguns traços em comumentre elas. Em geral são pessoas que gostam de aplauso e elogiospúblicos, precisam estar com alguém para se sentirem amadas e tersegurança e, em geral, lêem pouco (ou não lêem), e têm muitasatividades mas pouca reflexão. Vivem uma vida supostamente intensa efeliz, correndo de um lado para outro, atendendo celulares, correndoatrás de sonhos que não são verdadeiramente os delas...

Achamos que o sucesso são essas pessoas, como se o sucesso não tivesseum significado individual. Achamos que o certo é estar feliz todos osdias. Queremos comprar tudo o que pudermos (quando troquei de carro asecretária na Coppe me deu os "parabéns"... eu perguntei: porquê???). O resultado da pressa e desses valores é esse consumismoabsurdo em que vivemos (olha o Natal aí, gente!! ou a Páscoa, o Diados Namorados, o dia da criança).

Por fim, ouvimos todos os dias os artistas, a mídia e os gurus dizerempara fazermos as coisas do jeito certo, como se houvesse um únicocaminho para se fazer as coisas, e eles fossem os únicos a conhecê-lo.As metas podem ser interessantes para o sucesso, mas não para afelicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz enquanto não comprar a casaprópria, emagrecer ou casar, mas podemos ser felizes vendo a lua, opôr do sol ou tomando sorvete; ficando em casa sozinho, estando comamigos verdadeiros, levando os filhos para brincar, dando uma volta noquarteirão de casa, indo ao cinema ou deitado em silêncio ao lado dapessoa amada.

O Drauzio Varella conta que quando trabalhava com pacientes terminaisninguém se lamentava, na hora da morte, por não ter comprado oapartamento dos seus sonhos ou por ter aplicado o dinheiro em ações,mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidadespara aproveitar a vida. E se, ao invés de grandes projetos, afelicidade for feita de coisas pequenas? Não é?

O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.
Para mim, as pessoas de sucesso são aquelas que trabalham para realizar seusprojetos de vida e seus sonhos, para ficar bem consigo mesmas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Só 38% das empresas brasileiras têm governança de TI

Para Peter Weill, no País, apenas as organizações do setor financeiro e as empresas de mineração mostraram sinais de evolução nas métricas e nos processos para controle das operações de tecnologia da informação

No Brasil, cerca de 38% das grandes corporações possuem projetos estruturados de governança de TI, ao passo que esse índice salta para 95% quando analisadas as melhores práticas na área de finanças. Os dados, que fazem parte de um estudo realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), foram apresentados a CIOs brasileiros pelo presidente do conselho e pesquisador-sênior do Centro para Pesquisas em Tecnologia da Informação do MIT, Peter Weill.
Em entrevista exclusiva à CIO, o especialista alertou que esses números confirmam uma falta da maturidade das companhias brasileiras em relação à gestão do desempenho dos departamentos de TI.

Weill, que é autor do livro “IT Governance: How Top Performers Manage IT Decision Rights for Superior Results” (Governança de TI: Tecnologia da Informação, em português), defende que, embora a crise tenha aberto os olhos dos executivos quanto à importância das políticas de governança, no Brasil, apenas empresas dos setores financeiro e de mineração evoluíram efetivamente no desenvolvimento de métricas e de processos para controle das operações de tecnologia da informação.

Ele destaca ainda que a chave para elaborar um projeto eficaz de governança de TI é “fazer tudo do modo mais simples possível”. Para tanto, Weill aponta quais são os quatro passos fundamentais que devem ser seguidos no processo de desenvolvimento das políticas:

1. Buscar o alinhamento com as áreas de negócios: de acordo com o especialista, antes de iniciar a elaboração do projeto de governança, os CIOs precisam conhecer profundamente a estratégia dos demais departamentos da organização. “Só assim saberão como estipular objetivos que realmente tragam resultados para o negócio”, diz ele.

2. Mapear projetos e serviços de TI: os CIOs devem mapear formalmente todos seus ativos e, principalmente, identificar redundâncias e aquilo que pode ser eliminado. “Dessa forma, reduzindo custos, ganharão a confiança dos gestores das demais áreas e mostrarão que não são apenas um centro de custos da companhia”, explica Weill.

3. Estebelecer prioridades: depois de eliminar o que é dispensável, os gestores de TI devem priorizar os projetos e serviços do departamento de acordo com a estratégia do negócio e buscando, sempre, a valorização da companhia perante o cliente final.

4. Acompanhar resultados: o CIOs devem avaliar as políticas de governança trimestralmente para, então, estipular metas mais factíveis à equipe e identificar fatores que atrapalham o desempenho da área, bem como a tomada de decisão por parte das lideranças.

Patrícia Lisboa, da CIO Brasil - Publicada em 15 de setembro de 2009 às 07h45

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Alerta para a falta de líderes capacitados em TI

Robert Wong alerta para a falta de líderes capacitados em TI

Tatiana Americano, CIO Brasil
Publicada em 04 de agosto de 2009 às 08h00

Em entrevista à CIO Brasil, um dos headhunters (caçadores de talentos) mais famosos do País faz uma análise das mudanças no perfil dos profissionais

Considerado um dos 200 principais headhunters (caçadores de talentos) do mundo pela revista britânica The Economist, o chinês naturalizado brasileiro Robert Wong defende uma nova postura dos profissionais. O segredo para quem quer ter sucesso no mercado, de acordo com o especialista, está em buscar a inspiração e o equilíbrio.

Durante mais de duas horas de entrevista à CIO, Wong – que por sete anos presidiu a consultoria Korn/Ferry e hoje dirige sua própria empresa voltada a desenvolvimento de pessoas – fez críticas ao posicionamento dos líderes de TI das organizações. Entre outras conclusões, o especialista disse que as companhias procuram por profissionais que conciliem o conhecimento em tecnologia com a capacidade de relacionamento com as pessoas. “E encontrar esse perfil é uma verdadeira raridade”, de acordo com as palavras do headhunter.

CIO Brasil – A partir da sua experiência com profissionais da área de TI, faça uma avaliação do perfil das pessoas que atuam nesse setor?

Robert Wong – Há uma tendência desses executivos se acharem os donos da verdade e saírem cuspindo soluções sem ouvir o cliente. E isso não vale só para o perfil do CIO, mas também se encaixa na postura dos líderes de outras áreas, como recursos humanos e marketing.
Se eu pudesse dar uma recomendação para o CIO seria: entenda as necessidades, as expectativas e os desejos dos usuários de tecnologia da sua empresa. Para isso, ande pela companhia e procure ouvir as pessoas.

Acho que os CIOs precisam pensar com mentalidade empresarial e entender que a TI vai ser sempre o meio e não um fim. Os executivos podem disponibilizar o melhor sistema de informática do mundo, mas ele só faz sentido se ajudar a produzir resultados para o negócio.
Esse profissional deve entender que ele representa um componente muito estratégico para que as organizações atinjam os resultados. No entanto, falta ao CIO um pouco mais de humildade, generosidade e tolerância.

CIO – A crise tem levado a uma mudança no papel das lideranças?

Wong – Antes de falar sobre as transformações, é necessário entender, exatamente, o que significa crise. Esta palavra teve origem no termo crisis, do latim, que representa a ação de tomar uma atitude em um momento decisivo.
Ou seja, a crise, ao contrário do que se pensa, não representa um problema nem uma situação de perigo – desde que as pessoas tomem as decisões corretas. O termo serve para representar uma etapa decisiva para buscar melhorias e isso só acontece quando as pessoas saem de uma situação de conforto.

CIO – Dentro desse contexto, quais as competências mais buscadas pelas empresas hoje nos executivos de TI?

Wong – Esse profissional precisa conciliar conhecimentos técnicos e comportamentais. O mercado procura pessoas que conheçam muito a respeito de tecnologia, mas que também consigam se relacionar bem com as pessoas. E encontrar esse perfil é uma verdadeira raridade no setor. De forma geral, as pessoas são contratadas por suas competências técnicas e demitidas pelo comportamento pessoal.

CIO – De que forma um profissional consegue desenvolver as competências comportamentais?

Wong – Podemos mudar mais facilmente os comportamentos, que são a forma como falamos com as pessoas, nos vestimos, comemos e etc. Na verdade, isso é se comportar de uma determinada maneira. No entanto, trata-se de algo superficial.
O que os CIOs precisam, de forma geral, é mudar de atitude, o que não representa algo fácil, uma vez que isso está na essência das pessoas.

CIO – Nos últimos tempos, houve algum tipo de mudança em relação ao escopo dos profissionais?

Wong – Uma coisa que tem mudando é a noção de competência. No passado, fomos ensinados que esse termo estava ligado a uma forma de competição. Ou seja, alguém só era considerado competente quando se mostrava melhor do que o outro em alguma coisa. E isso é um conceito muito relacionado à cultura ocidental.
Com o tempo, começa-se a entender que quando as pessoas vencem uma competição elas ficam satisfeitas com os resultados e entram em uma zona de conforto. Assim, existe uma tendência de substituir a competência pelo conceito de autocompetência, que seria a capacidade de não se satisfazer em ser melhor do que o outro e, sim, querer atingir a excelência individual.
Nosso modelo de mercado sempre estimulou a competição e isso foi muito além do razoável. As pessoas fizeram falcatruas e maquiaram números, só para dizer que as empresas eram melhores do que as outras. Existiu uma ambição desmedida e todo o excesso é ruim. Agora, muita gente começa a questionar esse limite e parte para a busca de um equilíbrio.

CIO – As empresas estimulam essa atitude mais equilibrada dos profissionais?

Wong – Aquelas que são conscientes, sim. Elas não procuram mais as pessoas que produzem a qualquer custo, uma vez que começam a entender que isso não é legal. Existe uma compreensão de que as organizações precisam encontrar formas de ter crescimento contínuo e sustentável. Não adianta mais trabalhar com picos num mês para, logo em seguida, ter quedas nos números.

CIO – Existe uma tendência de os executivos ficarem menos tempo nas empresas, isso não afeta essa relação de resultados em longo prazo?

Wong – Existem os dois lados. As empresas não têm a paciência para que os profissionais gerem os resultados e a crise só serviu para aumentar essa cobrança. Em contrapartida, os próprios executivos não aguentam a pressão e buscam uma alternativa de emprego mais equilibrado.
Não existe mais a fidelidade, mas isso reflete os novos tempos. Na época dos meus pais, ninguém se divorciava. Hoje em dia, porém, é natural que as pessoas se separem.

CIO – Você quer dizer que o ambiente corporativo só reflete o que acontece na sociedade?

Wong – Sem dúvida, tudo tende a ser descartável. Quase nada é permanente nos dias de hoje e isso passa por amizades, relacionamentos, trabalho, produtos...

CIO – Como a chegada dos jovens profissionais – a chamada geração Y – no mercado de trabalho tende a mudar essas relações corporativas?

Wong – Antigamente, a relação entre chefes e empregados era de cima para baixo, o que gerava um relacionamento autoritário. Graças às novas gerações, as empresas passaram a contar com um regime mais democrático e consensual, baseado em diálogo. A figura do líder todo poderoso acabou. Até nas empresas familiares isso tem mudado bastante.

CIO – Para quem está em uma posição de liderança, que tipo de atitude tende a motivar as equipes mais jovens?

Wong – De forma geral, erra-se ao utilizar a recompensa para conseguir melhores resultados das equipes. O erro está em atrelar um benefício ou um castigo à obtenção de determinados resultados e achar que a pessoa motivada pelo prêmio ou pelo medo vai correr atrás do objetivo.
Com o tempo, quem age assim começa a entender que isso tem uma vida útil muito curta. Pois da próxima vez que o líder quiser obter determinada performance da equipe ele vai precisar oferecer um prêmio ou um castigo ainda maior.
Esse tipo de motivação pode ser até válido em algumas situações, só que a palavra que faz realmente a diferença para os resultados das pessoas é inspiração. E como o próprio nome diz, isso não depende de fatores externos, deve ser algo que vem de dentro. A forma mais fácil de desencadear isso é ter amor pelo que se faz.

CIO – Como se busca a inspiração no trabalho?

Wong – O chefe pode estimular que as pessoas encontrem seus dons. Como? Mesmo não jogando golfe, quando eu vejo a performance inacreditável do Tyger Woods [considerado o melhor jogador do mundo] isso me inspira a descobrir algo no qual eu atinja o mesmo estado de excelência.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Megafábrica de software da Caixa começa a naufragar

No dia 9 de maio de 2008, a Caixa Econômica Federal publicava os extratos de contratos fechados com as empresas vencedoras do pregão referente à sua megafábrica de desenvolvimento de software. Com o ato, o banco oficial encerrava, aparentemente com êxito, um processo polêmico de compra de serviços, o qual, à época, gerou uma revolução no mercado de informática de Brasília.Pela primeira vez, empresas brasilienses perdiam um grande contrato num banco oficial para concorrentes do Rio de Janeiro e São Paulo. Mas passados 13 meses de execução de contrato, a realidade é outra. A verdade é que a Caixa vive um momento turburlento, em função da escolha feita.
Fontes no mercado e no banco oficial informaram ao portal Convergência Digital que a principal detentora de vários itens desse contrato - a DBA Engenharia - passa por sérias dificuldades financeiras e corre o risco de a Caixa encerrar o contrato. Isso porque a empresa não teria completado o serviço. O contrato original previa a execução em 24 meses, mas poderá acabar encurtado na metade do prazo.Os problemas da DBA Engenharia começaram logo após a vitória obtida em diversos itens do pregão 01/2006, o qual, porém, só foi concluído no ínício de 2008. O impasse aconteceu em função de uma série de brigas e disputas entre empresas participantes da licitação. Elas não aceitavam perder contratos, estimados em edital em cerca de R$ 600 milhões. Durante o pregão, a DBA surpreendeu o mercado de informática.Para bater as grandes empresas de Brasília, atuantes na CEF, a empresa, com sede no Rio de Janeiro, derrubou seus preços em mais de 40%. Á época, a atitude da provedora foi avaliada no mercado como "um jogo suicida". Afinal, quem abriria mão de quase 50% do valor de um contrato, considerando todas as exigências feitas pelo banco, além dos custos inerentes às empresas como, por exemplo, carga tributária e folha de pagamento? A DBA reagia afirmando que seu preço era menor, porque estaria "cortando gordura" impostas pelas concorrentes (em especial as provedoras de Brasília), nos contratos.De fato a DBA "cortou gordura". Mas, agora, está pagando caro por isso. A estratégia da empresa para enxugar custos e, dessa forma, obter um preço melhor no pregão contra as concorrentes consistia em não assinar a carteira de trabalho de seus funcionários terceirizados para a Caixa Econômica Federal. Os melhores técnicos da DBA estavam trabalhando na CEF como "quarteirizados" da empresa, medida que levou o Ministério Público do Trabalho a entrar no circuito. Do dia para a noite, a empresa se viu obrigada a contratar todos os funcionários, que estavam na condição de "PJs", dentro do banco oficial.Por meio de fontes do mercado, o portal Convergência Digital soube que a DBA vem tentando cumprir a decisão do MPF, mas enfrenta sérias dificuldades. A "gordura", cortada lá atrás para garantir a vitória no pregão, agora, está fazendo falta, pois a empresa não terá como não cumprir a determinação da Justiça do Trabalho. O contrato acabou se transformando num grande prejuízo para a DBA Engenharia.
Inadimplência
Os problemas da DBA Engenharia não estão restritos somente aos salários, a serem pagos, agora, em carteira para os funcionários na CEF. A empresa passa por dificuldades desde o final do ano passado. Assim como outras provedoras de serviços, ela foi pega de surpresa pela crise financeira mundial, deflagrada em setembro de 2008, nos Estados Unidos. Com pouco dinheiro em circulação e crédito restrito, A DBA perdeu por ter apostado alto que poderia se manter na ciranda financeira e enfrentar empresas estáveis.O mais urgente problema para a DBA resolver é o fato de ela estar negativada no Cadastro de Fornecedores do Governo Federal (SICAF). A empresa, em função dessa dívida, não pode contratar com órgãos do governo; participar de novas licitações, além de correr o risco de perder os contratos que já têm como os da CEF e do Banco do Brasil. Para complicar ainda mais a situação, o portal Convergência Digital descobriu nesta sexta-feira, 03/07, que a empresa também está na "Lista de Devedores" da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inscrita em "Divida Ativa".E nessa relação, disponibilizada na Internet pela PGFN, a DBA Engenharia consta como devedor "que não tem crédito com exigibilidade suspensa ou "ação ajuizada com o objetivo de discutir a natureza da obrigação ou seu valor". Ou seja, a empresa não possui garantias para dar em troca da negociação da dívida (não informada ao público em geral. Tampouco moveu ação para contestá-la.
"Barato que sai caro"

Durante o processo de licitação, a Caixa Econômica Federal foi alertada, pelos concorrentes, que os preços praticados pela DBA Engenharia, para executar serviços no modelo fábrica de software eram inexequíveis. Durante um certo período - entre o fim do pregão e o anúncio oficial dos vencedores - técnicos do banco debateram se não estariam cometendo um erro em aceitar preços tão baixos, dadas as peculiaridades do megaprojeto que desejavam implantar.Para se ter uma idéia, o pregão 01/2006, cujo edital tinha uma estimativa de preços em torno de R$ 600 milhões, acabou provocando uma economia de mais de R$ 200 milhões, no custo final para a CEF. À época, tratava-se na época de um fato inédito. O tombo no preço chamava a atenção e, claro, o fato de, pela primeira vez, empresas de Brasília terem sido derrotadas numa licitação governamental.Mesmo com as suspeitas de proposta inexequível, os técnicos da CEF decidiram correr o risco. Isso porque estava em curso uma política de afastar antigos prestadores desses serviços. Dois fatores motivaram essa decisão. O primeiro foi político. Isso porque o "PT não se dava" com as empresas de Brasília. O segundo estava ligado ao fato de existir na instituição uma visão de que, ao longo dos anos, a Caixa tinha criado um ambiente de "dependência tecnológica" com essas empresas brasilienses. E era a hora de "cortar o cordão umbilical".Somados a esses dois fatores, hoje, perdura um terceiro problema em discussão no setor de informática: O fato do governo ter levado o pregão (um leilão reverso) para um tipo de contratação de serviços que deveria privilegiar o aspecto da habilidade técnica. Só que, atualmente, o preço é o item mais levado em conta pelos gestores de governo na hora de uma contratação.Mas é notório o fato de que onde o preço de um serviço especializado em software foi aviltado, empresas terminaram por não concluir o acertado e deram prejuízos ao contratante. Há casos históricos no governo de contratações mal-suscedidas. Antes do pregão da Caixa, a própria DBA Engenharia já tinha deixado sua marca neste sentido.A empresa deixou a Dataprev "na mão" quando participou de um consórcio com a Indiana TATA e a MSA-Infor para efetivar a migração dos sistemas legados para uma nova plataforma, de forma a por fim à "dependência tecnológica" da Unisys. O serviço não foi executado; as empresas receberam uma pequena parte do que foi contratado e, no fim, deixaram a Dataprev com a missão de se explicar com o Ministério Público Federal. O consórcio levou uma multa de pouco mais de R$ 500 mil e as empresas participantes da iniciativa seguiram no mercado, sem qualquer problema para disputar outros contratos no governo.Se ainda na Dataprev, os gestores desta estatal tivessem feito o recomendado, em entrevista ao portal Convergência Digital, o Secretário de Logística e Tecnologia da Informação, Rogério Santanna, talvez a DBA não tivesse chegado "com tanto gás" no pregão da Caixa Econômica Federal. Santanna foi taxativo: As empresas que não executaram o serviço deveriam receber uma pena de inidoneidade.A Dataprev preferiu apenas uma multa. E, ainda assim, de valor questionável.

:: Luiz Queiroz :: Convergência Digital :: 03/07/2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

IBGE divulga estudo inédito sobre setor de Tecnologia da Informação e Comunicação no país

IBGE divulga estudo inédito sobre setor de Tecnologia da Informação e Comunicação no país
Em 2006, as 65.754 empresas brasileiras do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) obtiveram receita líquida de R$ 205,9 bilhões e geraram R$ 82,1 bilhões (valor adicionado e valor da transformação industrial), o que representava, naquele ano, 8,3% do valor total produzido pela indústria, comércio e serviços. Embora essa seja uma participação significativa, houve perda gradativa de peso do setor TIC, que havia sido de 8,9% em 2003, principalmente em razão da redução no ritmo de crescimento do segmento de telecomunicações.
O setor TIC é altamente concentrado, com 76,1% do valor gerado nas empresas com 250 ou mais pessoas ocupadas. Em contrapartida, as micro e pequenas empresas têm papel importante na geração de postos de trabalho. A região Sudeste concentrava, em 2006, 65,0% do valor gerado pelo setor TIC, que tinha 95,6% de suas empresas e 71,1% das pessoas ocupadas nas atividades de serviços.

Outra característica do setor TIC é a elevada remuneração, com média salarial de R$ 2.025,18, em 2006, contra R$ 937,48 do total de atividades industriais, comerciais e de serviços. Mais uma vez, nesse caso, as telecomunicações se destacam, com média salarial de R$ 3.315,26.
Essas são algumas das informações levantadas pelo IBGE neste estudo inédito do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação. O estudo analisou o setor TIC pelo lado da oferta, nos anos de 2003 a 2006, e foi realizado a partir dos resultados das pesquisas econômicas anuais do IBGE da indústria, do comércio e dos serviços e de informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

No capítulo de produtos e serviços TIC, o estudo mostra o crescimento na participação do setor de telecomunicações sem fio (34,1% para 43,2%), enquanto telecomunicações por fio perdeu participação (de 60,3% para 50,7%), no período 2003-2006. Constatou, ainda, aumento de 8,5% para 13,6% na participação das chamadas geradas em telefones públicos (na receita da telefonia fixo-fixo). E, ainda redução de 8,9% para 5,1% na participação da receita das chamadas internacionais, em decorrência de alternativas disponíveis na Internet para comunicação à distância.

Número de empresas de TIC cresce, mas participação do setor na economia diminui.

O setor TIC brasileiro era formado, em 2006, por 65.754 empresas, que ocupavam 673.024 pessoas, sendo que, entre 2003 e 2006, houve um aumento de 18,3% no número de empresas e de 40,7% nas pessoas ocupadas. Em 2006, o faturamento líquido do setor atingiu R$ 205,9 bilhões; e o somatório do valor adicionado (VA) com o valor da transformação industrial (VTI)1, R$ 82,1 bilhões, mostrando crescimentos de 47,4% e 38,1%, respectivamente, em relação a 2003.

Apesar desse crescimento, entre 2003 e 2006, a participação do setor TIC no total de empresas do país manteve-se estável, em, respectivamente, 2,4% e 2,5%; enquanto a participação do VA/ VTI em relação ao total da economia brasileira2 mostrou recuo de 0,6 ponto percentual, saindo de 8,9% em 2003 para 8,3% em 2006. Isso porque o setor TIC mostrou crescimento nominal inferior (37,6%) ao verificado na média da economia (47,6%) entre os dois anos citados. Essa queda de participação pode ser explicada, sobretudo pelo setor de telecomunicações, que embora tenha apresentado crescido no período, este foi inferior ao crescimento dos demais setores da economia.

A receita líquida do setor TIC também manteve uma participação estável no total, em torno de 7,1%, de 2003 a 2006. Já a fatia do pessoal ocupado no setor foi a única a ter um ligeiro crescimento no mesmo período, de 2,6% para 3,0%. Os dados estão resumidos nas duas tabelas a seguir.

Setor TIC se concentra em grandes empresas e no Sudeste e Sul do país

O setor TIC brasileiro se mostra concentrado nas grandes empresas, tanto no que se refere ao pessoal ocupado quanto ao valor gerado. Em 2006, quase metade (48,2%) dos ocupados em TIC trabalhava em empresas com mais de 250 pessoas ocupadas. Em relação ao VA/VTI, a participação das grandes empresas era ainda maior (76,1%).
Separando-se as empresas por faixa de faturamento, 40,7% do pessoal ocupado no setor TIC em 2006 trabalhavam em empresas com faturamento maior que R$ 60 milhões, mas percentual próximo (37,8%) estava ocupado nas empresas de menor faturamento (até R$ 2,4 milhões). Já na análise do valor gerado, observa-se alto grau de concentração (77,2%) na classe de maior faturamento.

A produtividade (relação entre valor gerado e pessoal ocupado) das empresas com mais de 250 pessoas era, em 2006, 4,8 vezes maior que a das pequenas. Havia maior eficiência nas empresas com faturamento superior a R$ 60 milhões, pois sua produtividade superava em pelo menos três vezes a de todos os outros intervalos de faturamento. Isso ocorre porque as grandes empresas (tanto em pessoal ocupado quanto em faturamento) são responsáveis por uma proporção do valor maior que a do pessoal ocupado.

Em 2006, as atividades do setor TIC estavam concentradas na região Sudeste no que se refere ao pessoal ocupado (65,6%) e ao valor gerado (64,4%). Em segundo lugar, aparecia a região Sul, com 13,2% do pessoal ocupado e 11,6% do VA/VTI. As participações das outras regiões eram, respectivamente, as seguintes: Norte 7,2% e 9,6%, principalmente devido à Zona Franca de Manaus; Nordeste 6,2% e 7,4%; e Centro-Oeste 7,9% e 6,9%.

Em relação às atividades, as empresas de TIC se concentravam nos serviços, que mostraram ligeiro aumento de participação no setor, de 95,3% em 2003 para 95,6% em 2006. As empresas industriais representavam 3,3% do setor de TIC em 2003 e 3,0% em 2006. O comércio mostra menor importância relativa, embora com pequeno aumento de participação, de 1,4% em 2003 para 1,5% em 2006.

Em relação ao pessoal ocupado no setor TIC, também se verifica uma concentração no setor de serviços, que, em 2006, reuniam 71,1% do pessoal ocupado, enquanto na indústria essa participação era de 25,6%; e, o comércio continuava mostrando menor importância relativa (3,3%).

Atividades de informática reúnem 89,7% das empresas e 56,3% dos ocupados em TIC

Analisando as principais atividades do setor TIC, observa-se elevada concentração do número de empresas nas atividades de informática, embora ela apresente queda na participação, passando de 92,4% em 2003 para 89,7% em 2006. Em patamar bem inferior, aparece a atividade de telecomunicações, com 2,5% do total de empresas em 2003 e 3,7% em 2006.

A composição estrutural das atividades TIC no que tange ao pessoal ocupado revela também as atividades de informática como o segmento mais intensivo em mão-de-obra, com 56,3% do total do setor. Contribui para essa participação expressiva a forte presença de pessoal não-assalariado (proprietários e sócios, sócios cooperados e membros da família) que constituíram, em 2006, 24,4% do pessoal ocupado.

A indústria também merece destaque, uma vez que, em 2006, foi responsável por 25,6% do pessoal ocupado do setor TIC. O segmento de telecomunicações respondia por 13,5% do pessoal ocupado no setor TIC em 2006. Contudo, houve uma perda de participação gradativa, já que em 2003 ela era de 14,9%.

Mesmo com queda no salário médio, TIC remunera melhor que a média.

O setor TIC apresentou uma queda real de 1,6% no salário médio mensal3pago entre 2003 e 2006. Mesmo assim, o setor pagava em 2006 (R$ 2.025,18) mais que a economia em geral (R$ 937,48). Tal fato se repetia nas atividades industriais (R$ 1.902,06 em TIC e contra R$ 1.337,93 no geral); comerciais (R$ 2.521,12 contra R$ 623,72); e de serviços (R$ 2.046,73 contra R$ 897,09).

Nos serviços TIC houve uma redução da remuneração média mensal, que passou de R$ 2.107,13 em 2003 para R$ 2.046,73 em 2006, numa perda acumulada real de 2,9%. Essa queda foi influenciada pelas telecomunicações, que ainda passam por um processo de reestruturação na gestão de pessoal, o qual se reflete em mais contratações, com menores níveis de remuneração. Apesar disso, as telecomunicações continuam a representar a maior remuneração média do setor TIC: R$ 3.315,26 mensais. Para as atividades de informática, verificou-se uma tendência contínua de crescimento salarial, de R$ 1.671,06 em 2003 para R$ 1.768,73 em 2006, um aumento real acumulado de 5,8%.

O setor TIC aumentou o seu custo do trabalho4de 28,0% em 2003 para 31,9% em 2006, mantendo-se, porém, abaixo do custo do trabalho para o total da economia, que saiu de 39,1% para 39,8 %.

Telecomunicações respondem pela maior parcela do valor gerado pelo setor TIC

Em 2006, o valor gerado pelo setor TIC atingiu o montante de R$ 82,1 bilhões mostrando crescimento nominal de 38,1% em relação a 2003 (R$ 59,4 bilhões), sendo dividido da seguinte forma entre os setores econômicos: 74,4% nos serviços, 23,0% na indústria e 2,6% no comércio.

As telecomunicações são responsáveis pela maior parcela de geração de valor do setor TIC, embora apresentem perda de participação, de 55,2% em 2003 para 47,8% em 2006. Por outro lado, as atividades de informática e as atividades industriais do setor TICaumentaram sua participação entre 2003 e 2006, de 23,6% para 25,6% e de 19,3% para 22,9%, respectivamente.

Cresce receita da comunicação sem fio.

No setor de telecomunicações, no período de 2003 a 2006, a participação da receita do segmento de telecomunicações por fio caiu de 60,3% para 50,7%. Em sentido contrário, a participação do setor de telecomunicações sem fio apresentou crescimento de 34,1% para 43,2%, nesse período. Com menor participação na receita desse setor, também apresentaram crescimento serviços de Internet (1,9% para 2,3%) e outros serviços (2,0% para 2,4%).

Chamadas internacionais diminuem em razão de alternativas de menor custo na internet

No grupo dos serviços de telecomunicações por fio, respondiam pelas maiores receitas, em 2006, os serviços de telefonia fixo-fixo (30,5%), seguidos pelos serviços complementares de telefonia fixa (24,5%) e telefonia fixo-móvel (18%). Embora com menores participações, destacou-se nesse grupo, no período de 2003 a 2006, o crescimento de 2,9% para 5,6% na participação da receita do serviço de fornecimento de conexão para acesso à Internet. No serviço fixo-fixo, as chamadas interurbanas representavam 43,4% da receita em 2006, seguido pelas chamadas locais (37,9%).

No período 2003-2006, houve redução de participação das chamadas internacionais (de 8,9% para 5,1%), em razão de alternativas disponíveis na Internet por menor custo. Outro destaque foi a tendência de crescimento das chamadas geradas em telefones públicos (de 8,5% para 13,6%), em decorrência do Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado Prestado no Regime Público, instituído em 2003.

Serviço de celular pós-pago cresceu em detrimento do pré-pago

No setor de telecomunicação sem fio, os serviços de interconexão na telefonia celular (serviço inter-empresas de chamadas) respondiam, em 2006, por 27,6% da receita. Tinham participações importantes na receita de telecomunicações sem fio a telefonia celular pós-pago (27,1%), seguida pela telefonia celular pré-pago (11,6%) e pela venda de telefones celulares (13,5%). De 2003 a 2006, observou-se o crescimento do serviço de telefonia celular pós-pago, de 21,4% para 27,1%, em detrimento do serviço pré-pago (caiu de 17,9% para 11,6% na participação da receita de telecomunicações sem fio). No serviço pós-pago, as chamadas locais representavam, em 2006, 70,7% da receita.

Internet banda estreita tem queda acentuada enquanto banda larga cresce

No grupo de serviços relacionados à Internet, os provedores de acesso em banda larga concentravam 64,8% da receita, em 2006, seguido por outros serviços (16,1%) e agenciamento de espaço para publicidade (7,2%). No período 2003-2006, houve queda acentuada da participação dos provedores de acesso em banda estreita (de 26,2% para apenas 5,2%), enquanto os serviço de banda larga respondia por 49,1% da receita, em 2003, chegando a 73,3%, em 2005, seguida por pequena retração em 2006 (64,8%).

Softwares por encomenda respondem por mais de 30% da receita da informática

No setor de informática, o segmento de desenvolvimento de softwares sob encomenda concentrou mais de 30% da receita, entre 2003 e 2006, seguido pelo desenvolvimento, edição e licenciamento de softwares prontos para uso, que no período analisado na pesquisa, caiu de 19,0%, em 2003, para 16,7%, em 2006. Entre 2003 e 2006, teve destaque o crescimento de participação em receita do serviço de consultoria em tecnologia da informação, que passou de 10,4% (2003) para 15,0% (2006). No sentido contrário, o setor de manutenção de equipamentos registrou queda, passando de 7,7% de participação na receita, em 2003, para 4,9% em 2006.

Aumento de importações faz saldo de comércio exterior de TIC cair 30%

O estudo demonstra que enquanto o superávit do comércio exterior brasileiro como um todo quase duplicou a partir de 2003 até 2006, o déficit do comércio exterior dos produtos do setor Tecnologias de Informação e Comunicação aumentou em torno de 32%, no mesmo período, em decorrência do aumento das importações.

Entre 2003 e 2006, cresceu de 12,5% para 14,3%, a participação da importação dos produtos do setor em relação ao total do país, enquanto as exportações mantiveram-se estáveis com 3,2% de participação. Todas as categorias, exceto equipamentos de telecomunicações, foram deficitárias (importações superaram as exportações), com destaque negativo para as categorias dos componentes eletrônicos e dos computadores e equipamentos relacionados, que juntas representaram 85% do saldo comercial.
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1O valor adicionado (VA) nas pesquisas anuais de Comércio e de Serviços é a diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário. Nesse caso, o cálculo é feito sem os ajustes metodológicos das Contas Nacionais. O valor da transformação industrial (VTI), da Pesquisa Industrial Anual – Empresa, é a diferença entre o valor bruto da produção industrial e os custos das operações industriais.
2 Considerando as atividades industriais, de serviços e do comércio.
3 O salário médio mensal é calculado pela relação entre o total de salários, retiradas e remunerações e o total de pessoal ocupado dividido por 13 (12 meses mais 13º).
4 Corresponde à relação entre os gastos com pessoal e o valor da transformação industrial; no comércio e nos serviços, corresponde à relação entre os gastos com pessoal e o valor adicionado.
Comunicação Social03 de abril de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Os impactos da crise global à área de TI

GAZETA/OPINIÃO:

No início de outubro, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou projeções de crescimento mais lento na economia mundial em 2009, a International Data Corp.(IDC) revisou suas expectativas em relação ao mercado de TI. Diante de expectativa de aumento de apenas 3,2% do PIB latino-americano, a IDC baixou de 13,7% para 7,8% o crescimento esperado do mercado de TI na região. No estudo, as áreas de software e de serviços seriam as menos afetadas, com expansão de 9% e 8,6%. Os analistas avaliam que os investimentos e contratos em andamento dificilmente seriam interrompidos, mas novos projetos de aplicações e serviços podem ser adiados.

A pressão imediata da crise financeira sobre a área de TI é de redução orçamentária. "Fazer mais com menos" é a palavra de ordem do momento. A nova missão estaria focada em projetos que trouxessem menores custos operacionais, ou resolvessem gargalos de produtividade em curto prazo. Ram Charan, autor do livro "Leadership In The Era of Economic Uncertainty", adverte que os gestores de TI devem considerar no orçamento de tecnologia que é preciso rever a relevância dos projetos diante da mudança de conjuntura. Ele destaca que haverá mais regulamentação nos mercados e na gestão das empresas.

As organizações de TI não veem o binômio crise/oportunidade da perspectiva do vendedor de guarda-chuva. Todos prefeririam viver em um mundo em que o trabalho é adequar a produtividade à demanda. A crise desmascara fragilidades dos sistemas de ne-gócios. Tão importante quanto expandir mercados, é reter os clientes. Mais do que automatizar processos, é preciso usar o ERP para um controle efetivo. Indicadores confiáveis de governança são determinantes na disponibilidade de capital, e passam a ser percebidos com um valor econômico fundamental. É preciso mapear o custo operacional e o valor real de cada processo, para se chegar a uma equação sustentável de eficiência.

No Brasil, a maturidade tecnológica de várias indústrias derruba o falso dilema entre eficiência e inovação. Este não deve ser um ano de investimentos, mas abrirá oportunidade de grandes ajustes estruturais. Será preciso "fazer mais" e, mesmo que não houvesse pressões orçamentárias, já seria mandatório "fazer melhor".

A perspectiva das organizações de TI em 2009 não é apenas manter a continuidade, com menor custo. Além das exigências regulatórias que estão por se intensificar, várias indústrias têm projetos inadiáveis de modernização, tanto dos processos de negócio quanto da estrutura tecnológica. Um exemplo é o das 32 mil empresas que terão que se adequar ao SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), que representa grandes mudanças na gestão fiscal, contabilidade e nos relacionamentos nas cadeias de suprimentos. Em paralelo, crescerá a demanda por otimizações em sistemas de gestão de riscos, CRM (gestão de relacionamento com clientes), controle orçamentário e ferramentas de BI (inteligência de negócios).
Como na correlação entre os países e setores econômicos, o impacto da conjuntura é diferente para cada segmento da indústria de TI. Enquanto as atuais condições de crédito e câmbio desfavorecem expansões ou atualizações do parque, os Serviços passam a ser vistos também como uma forma de "fazer mais com o mesmo".

Em relação à estrutura e serviços de TI, se sai melhor quem se organizou. É exatamente esse o eixo das várias metodologias e recomendações, desenvolvidas pela colaboração dos especialistas em TI e negócios no mundo. Siglas e certificações complicadas - como ITIL, CMM, Cobit e SOX - têm um objetivo claro: simplicidade e transparência. O domínio dessas práticas permite uma visão mais precisa dos efeitos das mudanças, investimentos ou cortes operacionais no resultado final. Em uma perspectiva mais estratégica, são condições favoráveis a quem quer obter eficiência.

A conjuntura atual é uma chance para usuários e profissionais de TI amadurecerem uma visão mais racional da tecnologia, com facilidade de compartilhar seus objetivos. Afinal, se não é possível prever o câmbio para daqui a poucas semanas, pelo menos se deve saber quais os efeitos de variação no custo e no retorno dos projetos. E como ajustá-los em curso.

(MARCELO MORAES - CEO da Third IT Solutions - InvestNews)